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A segurança pós-Hubert

Meses após a trágica morte de Anthoine Hubert, o GRANDE PREMIUM conversou com pilotos brasileiros para entender o que pode ser melhorado na segurança dos monopostos no futuro

31 de agosto de 2019 tinha tudo para ser um dia dentro das normalidades no automobilismo. Charles Leclerc anotou a pole-position para o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps. Minutos depois, foi iniciada a corrida 1 da Fórmula 2, a principal categoria de suporte da Fórmula 1.

 

Na segunda volta da prova, Giuliano Alesi rodou e bateu na saída da curva Eau Rouge. Anthoine Hubert desviou, mas perdeu o controle e parou na barreira de pneus. O carro #19 da cor rosa foi devolvido ao traçado e violentamente atingido por Juan Manuel Correa. O cockpit rachou, a prova foi interrompida imediatamente e encerrada.

 

Hubert foi levado para o hospital. A falta de informações preocupou e deu indícios de que algo muito ruim estava acontecendo, até que a triste notícia veio quase duas horas após o acidente: Anthoine não resistiu e faleceu aos 22 anos de idade.

 

A morte de Hubert foi um golpe duro no automobilismo, especialmente o de base. O último falecimento em uma categoria que servia como a principal de acesso para a Fórmula 1 aconteceu em 1995, com o brasileiro Marco Campos, em Magny-Cours, pela extinta Fórmula 3000 (que virou GP2, que virou F2)

 

 

 

O aumento da segurança no esporte, especialmente após a morte de Senna, em 1994, reduziu o número de fatalidades, porém, a morte de Hubert, após diversas mudanças e introduções tecnológicas, voltou a abrir questões se os monopostos de hoje em dia são realmente seguros.

 

​​Sérgio Jimenez é um veterano do automobilismo. Mesmo dedicando os últimos anos de sua carreira ao turismo, o paulista teve experiência na GP2, em 2007, e recentemente teve a oportunidade de guiar um carro da Fórmula E, como premiação após o título do Jaguar eTrophy.

 

Jimenez demonstra confiança no nível de segurança dos carros. Ele acredita que as circunstâncias, que envolviam alta velocidade e a batida em T, ocasionaram a fatalidade. A busca deve ser por uma pista mais segura, com uma barreira de pneus que amorteça o impacto, e não jogue o carro de volta para a pista.

 

 

 "O carro era muito seguro. Foi um acidente a 200 km/h, com fumaça e em T. Não foi por falta de segurança na minha opinião. Talvez sim, a área de escape de alguma maneira, em vez de ricochetear o carro e voltar para a pista, precisa amortecer. Mas novamente, foi uma batida muito forte, são coisas que nunca entenderemos o porque tem e teve de acontecer", conta o piloto em entrevista ao GRANDE PREMIUM.

 

"Após a morte do Ayrton, os carros hoje são extremamente seguros, mas temos que sempre buscar mais e mais. Só não podemos deixar o esporte chato com tantas regras. Ele é de risco, e por isso que o público gosta e assiste, por isso que estamos lá, por causa da adrenalina e o tesão de pilotar. Então, temos que sempre tentar balancear", fala o piloto de 35 anos, admitindo a importância de deixar o carro o mais seguro possível.

 

 

Antes de se aventurar com bastante sucesso no WEC, com direito a duas vitórias em Le Mans, André Negrão também competiu pela GP2, e foi em Spa-Francorchamps, na Bélgica, que conseguiu os seus primeiros pontos na categoria, além de ter somado pódios recentes nas 6 Horas de Spa.

 

Para o piloto, é necessária uma mudança na pista belga, especialmente aumentando a área de escape na curva Raidillon. Spa é a mais longa do calendário da Fórmula 1, e já viu 48 pilotos perderem suas vidas em quase 100 anos de história do circuito.

 

"Eu acho que já tivemos muitos acidentes em Spa, em particular naquela específica curva. Teve que rolar uma catástrofe para pensar a respeito para mudar. Acho que a coisa mais correta seria aumentar a área de escape daquela específica curva, o que já iria aumentar a segurança. Infelizmente, tivemos que ter uma morte antes deles realizarem uma mudança", declara o piloto da Signatech Alpine.

 

 

Cotado como um dos próximos pilotos brasileiros na Fórmula 1, Caio Collet é piloto da academia da Renault, assim como Hubert, e os dois criaram um laço de amizade. O jovem piloto competiu na F-Renault Eurocup, e deve alcançar a Fórmula 2 nos próximos anos.

 

Mesmo com o grave acidente, Caio traz a opinião de que o esporte segue bem seguro, inclusive nas categorias chanceladas pela FIA. As tentativas de deixar o esporte mais seguro seguem acontecendo, mas nenhuma alternativa passa na cabeça que poderia ter evitado a morte de Hubert.

 

“Na minha opinião, o nível de segurança hoje é muito bom. Acredito que todos estão sempre trabalhando e evoluindo, buscando alternativas para que o esporte seja mais seguro ainda. Eu tenho total segurança no meu carro e também nas categorias acima e abaixo. E essa opinião não mudou após o acidente com o Hubert. Infelizmente, foi uma fatalidade. Não vejo como algo poderia ter tornado o carro mais seguro numa batida como aquela”, cita Caio.

 

O jovem piloto também acredita que não existe uma preocupação menor da FIA com categorias de suporte como a Fórmula 2 e a Fórmula 3, que em sua visão, também apresentam segurança.

 

"Acho que a Fórmula 1 e as categorias de base, que têm a chancela da FIA, são muito seguras. Acredito que os regulamentos da FIA para todas as categorias são muito cuidadosos neste sentido", segue.

 

“Na minha opinião, tanto as pistas, quanto os carros são seguros. Não vejo um problema muito grave hoje em dia, em alguma pista em específico. O automobilismo é um esporte de risco, todos nós sabemos, mas temos de trabalhar para que a segurança seja cada vez maior. Mas acho que todas as categorias e circuitos se esforçam muito para isso”, diz.

 

Com o esporte levando um dos golpes mais fortes dos últimos tempos, a segurança voltou a ser pauta no automobilismo, e nunca pode deixar de ser. A morte de Hubert pareceu mais circunstancial do que perigosa na visão da maioria dos pilotos, mas isso não deve impedir que novas medidas sejam tomadas para que as cenas do dia 31 de agosto de 2019 não se repitam.

 

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